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10 de julho de 2011

carta para alice

Alice querida,
Ele te faz mal. É um cigarro, pode virar câncer. Ontem eu li que até a água pode dar câncer. Mesmo fazendo mal vá atrás dele. Ele te ama. Você o ama. Escreva com e para ele. Vocês são lindos juntos. Mais do que quando estão separados por obstáculos imaginários. Uma beleza que cansa pela manhã. Uma beleza que só existe se você disser um sim. Eu te amo e quero que você vá vê-lo. Espero que vocês tenham o céu vermelho que tanto merecem. Me fale o dia da viagem. Vou deixá-la no aeroporto. E estarei te esperando lá quando você voltar com um sim, não, talvez ou tanto faz. Esqueça os outros. Ele é perfeito pra você se você quiser se destruir. Mas é bom se destruir e começar do zero. Ele te faz bem até quando machuca. É uma dor que faz lembrar o que é sentir. Eu sei como é, eu sinto isso. Queria causar isso em alguém mas essa carta não é sobre mim e sim sobre o que você deveria fazer agora. No seu lugar eu já teria ido. Chorado, gritado, construído uma máquina do tempo e voltado aquele dia fatídico em que um personagem fantasma entrou na trama e mudou as regras do jogo, feito uma exposição que mostrasse tudo o que eu sinto no fundo e que no fundo permaneceu até ele chegar. Ele não veio em um cavalo branco. Como você tem tanta certeza de que ele é o cara se nem um cavalo branco ele tem? E daí que ele pinta, escreve e é tudo o que você precisa? Todos precisamos disso. Eu preciso aprender a voar a você não me vê saltando de prédios sem paraquedas. Eu o odeio. Eu o odeio mais do que o cheiro da minha mão depois de um cigarro escondido. Agora eu só falo de cigarros. Ele fuma? Deve fumar. Ele tem cara de quem fuma. Foda-se se ele fuma. Vai lá no prédio dele e espere ele voltar pra casa. Quando ele chegar, deixe-o sem palavras sem falar nada. Vá com o cabelo natural. Eu amo seus cachos. Ele deve amar também. Quem não te amaria? Se você estava esperando um alguém pra te apoiar nessa missão doentia, saiba que eu to aqui pra isso. Pra alimentar seus desejos suicidas e seus sonhos impossíveis. Tudo pra você se sentir bem nem que isso só dure segundos. Até porque, sair de casa já é se aventurar. E temos que nos aventurar enquanto ainda somos jovens. Quando ficarmos velhas, toda e qualquer loucura será tachada como crise da meia-idade.
Beijos da sua irmã,
Morgana

12 de julho de 2010

palavras e nuvens

eu olhava pro céu e via as nuvens sumirem junto com as palavras que eu guardava para ti.acho que foi aquela brisa da tarde que me fez ter vontade de procurar palavras pra ti mais uma vez.todas as cartas perderam o sentido em uma tarde como aquela. o poder daquelas palavras iam desaparecendo e elas iam se tornando cada vez mais próximas da ficção. eu acho que o problema foi a intensidade de amor que eu botava nelas ou talvez tenha sido sua falta de preparo para toda aquilo que eu mandava sem pedir nada em troca.enfim,acho que nunca saberemos qual foi o problema no final das contas.vamos apenas nos contentar com o fato de que as promessas morreram e que as palavras que guardamos em gavetas e cadernos estão indo embora com as nuvens para um outro lugar onde um outro nós consegue ter um outro amor de verdade.

9 de julho de 2010

carta para debra de número um

My dear,tuas palavras entram em mim e deixam marcas tão profundas em meu coração.tu não me machucas,nunca o fez.se as vezes pareço um pouco triste demais é só pra chamar tua atenção.não precisa ter medo.eu não tenho medo,medo é para pessoas fracas que não tem pessoas que as façam lutar.eu não vou deixar você ter medo.se tiveres pesadelos vou cantar até você voltar a dormir.vou escrever cartas e ligarei pela manhã para ouvir tua doce voz me desejando inutilmente um bom dia,afinal,meus dias só serão bons quando eu estiver ao lado teu abrindo um pouco a persiana do nosso apartamento pela manhã só para ver a luz do sol te iluminar.Love will not apart us,eu não vou deixar,vou tentar te fazer feliz todos os dias.então eu peço,my dear,espere mais um pouco.a cada segundo a mais é um segundo a menos longe de ti.e não precisas te preocupar pois irei cuidar de tudo e principalmente de ti.vou tentar te proteger de todos as maldades do mundo.eu sei,a vida é cruel e nós,seres humanos,somos idiotas mas eu vou te mostrar que ainda existem muitos jardins a serem descobertos.então não estrague tudo com medo e insegurança,afinal,eu te amo e ainda estou aqui,esperando o tempo passar pra eu poder ter teus sorrisos e teus suspiros.

16 de novembro de 2009

carta de número dois

Queria tentar entender essas coisas,se sabes que eu gosto de ti,por que me fala coisas tão lindas ?não sei se gostas de mim também,mas acho que isso é bem improvável.talvez gostes da conquista,e não de mim. talvez só gostes de me enganar,talvez.ás vezes me pego pensando se fazes isso com outras também ou se só é o meu amor que te mantém.preciso saber o que queres de mim,um dia,uma noite ou uma vida inteira assim.queria tanto que me falasses mais,mais do que sentes,(se é que você sentes alguma coisa).e eu não sei disfarçar,que é somente contigo
que eu quero estar.mas não vou continuar com esse jeito de amar sem parar pra respirar,se na manhã seguinte,quando eu acordar,descobrir que você foi embora e não tem mais motivos para voltar.

21 de setembro de 2009

carta de número um

De vez em quando,só pra fugir da rotina,me pego no meu quarto,com todos os meu botões cuidadosamente fechados,rezando para que você apareça para abri-los.então,quando deixo meus pensamentos tão longes,talvez a procura de ti,sinto as suas mãos acariciando lentamente todo o meu ser.até que de repente,desperto e lembro que nem pensas tanto em mim.mas,afinal,para que pensar ? sou apenas aquela que te liga na calmaria da noite para perguntar sobre seu dia e comentar coisas banais de uma rotina monótona.sou apenas mas uma pra ti.e eu sei,que preferes aquelas vadias que só sabem te usar,enquanto eu só quero de ti cuidar,fechar todas as tuas feridas,fazer você pelo menos uma vez sonhar.e mesmo assim,sentindo essa mistura de ódio e desejo,eu sei que ainda vou te perdoar.te abraçar,beijar,chegar bem perto da tua orelha e sussurrar:
Do you wanna dance
and hold my hand ?

4 de maio de 2009

a última carta.

eu sempre quis fugir durante a madrugada, talvez porque você nunca gostou que eu dormisse tarde.agora tente me imaginar sozinha nessa madrugada fria e escura, livre, fazendo tudo aquilo que eu sempre quis fazer. eu sei que você me chamará de idiota, mas no fundo nós dois sabemos que você está sentindo uma pitada de inveja da minha coragem de largar tudo, tudo o que eu construí por apenas mais um sonho bobo. mas eu queria que você entendesse que eu precisava sair dai, porque esse lugar só me fazia mal, esse lugar me deixava doente, me deixava como você, e eu não quero ser como você,não quero ser infeliz e solitária, eu quero fazer amizade com estranhos, correr riscos, viajar, tomar intermináveis banhos de chuva e acima de tudo viver, coisa que você não faz. é,eu sei eu estou te desapontando de novo, mas eu prefiro desapontar a você do que a mim mesma. bom, acho que isso é um adeus.