Boa noite, continua frio. Nos conhecemos no frio. O frio da cidade ignora a nossa existência. Acho que será mais um texto igual, como todos os outros. Tudo quase soa igual mas tudo se mostra diferente a cada suspiro. Me sinto madura. Engraçado, eu não estou triste nessa noite. Não estou cansada ou com dor. Há tempos não tinha uma noite como essa. Eu ouço as mesmas músicas incansavelmente, assim elas entram em mim. Preciso cortar minhas unhas, por que elas insistem em crescer? Hematomas na minha cintura. Você não conhece minhas cicatrizes. Será que você tem cicatrizes? Se tiver, vou querer cuidar delas. Tenho esse desejo inexplicável de querer cuidar de ti. Acho que deveria ser menos
subjetiva. Ou não, talvez a graça esteja aí. Nunca sei o que falar. Não gosto mais dos meus textos. Na verdade eu escrevi tudo isso pra dizer de algum jeito idiota que eu sinto a sua falta e que eu penso em ti durante a noite. Mas eu não te conto isso, nunca vou contar. O que você quer que eu conte?
Eu conto contos. Eu canto pelos cantos. Eu, eu, eu quero sair mais contigo.
O que você acha de mim? O que você acha do mundo? Eu olho e tudo o que eu vejo são palavras. Essas palavras estão me cegando aos poucos. Já nem sei o que é o amor. Mas eu sou jovem, nós somos. Não que isso signifique algo. Talvez isso signifique você é um amor e eu fico boba com isso. Ontem eu sonhei com escadas. Escadas que davam em uma casa cor-de-salmão bem antiga. Dava pra ver a felicidade por trás da porta. Preciso voltar a pintar, você precisa voltar a sorrir. Me leva pro parque? Eu quero conhecer novas árvores. Eu não gostei desse texto. Mas quando você ler, vai me achar uma boba e vai sorrir. É pra isso que meus textos servem, pra arrancar sorrisos, teus sorrisos.